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Shawinigan, Quebec, Canada

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Resiliência




O corpo se adapta. Esse é o resumo desses dois meses e meio e seria a resposta mais completa para o que todos nos perguntam: como estão se adaptando ao frio?  Sempre a primeira pergunta de qualquer conversa com quem está no Brasil: tá muito frio aí?


Quando saímos do Rio, a temperatura girava em torno de 35 graus e aqui já estava em torno de -3. Ainda não tinha nevado e o frio que se sente nessa transição brusca é de doer o osso. Nossa tentativa frustrada de mudança durante o verão Canadense seria a melhor maneira de adaptação ao clima e no fim deste post, ficará claro o porquê. Devido a circunstancias do processo de imigração, em conjunto com nossas condições profissionais e financeiras, nossa viagem de mudança coincidiu com o início do inverno Canadense, quando as temperaturas são bem agressivas para quem mora no Brasil, especialmente no Rio.
 

O nariz sangra, a alergia ataca, a pele resseca, o cabelo cai, a unha quebra, o lábio racha... Como já sabíamos de tudo isso, nossa farmacinha estava bem municiada de soro, antialérgico, hidratante de pele e cabelo, tratamento de manicure, e muita, mas muita manteiga de cacau... a mudança brusca de temperatura ainda vem acompanhada da diferença de umidade do ar. Como os ambientes fechados são todos climatizados, aquecidos, o ar fica muito seco, com isso, os umidificadores de ambiente também foram agregados a todas as quinquilharias de adaptação.


Começa a nevar. Eh! Vai ter natal com boneco de neveeee!!! Realmente, natal com neve é delícia. Lareira, pinheiros naturais, casas iluminadas, uma fofura só. Mas a neve vem acompanhada de alguns brindes e quem não tem ideia do dia a dia de quem vive na cidade nevada pode se decepcionar muito com o clima (não é nosso caso). 


Antes de qualquer coisa, a roupa e o sapato. Para isso, existem os Outlets! Estes merecem um post exclusivo mais a frente, e foi lá que montamos nosso enxoval de inverno assim que chegamos. Se a roupa está adequada ao clima, pode estar fazendo -20 que você vai lidar bem. Outra coisa que acompanha a neve é o risco de acidentes, desde quedas e tombos simples a engavetamentos de veículos nas estradas, principalmente quando chove e faz frio na sequencia, pois a rua vira uma pista de patinação, no sentido mais literal da expressão. No caso, estamos substituindo o velho risco de assaltos no Rio pelo risco de trombar no veículo canadense alheio ou cair de bunda no gelo. Fair enouth.


Há outros inconvenientes da neve, tanto para quem vai caminhar, quanto para quem vai dirigir. Caminhar exige atenção e dirigir exige também um pouco mais de tempo para tirar a neve que acumula sobre o carro. Rotina cansativa para quem não tem garagem coberta e também pode decepcionar os desavisados.


A rotina da cidade não muda, tudo funciona normalmente, o transito fica um pouco mais lento, os centros subterraneos ficam mais movimentados e tirar a bota para entrar na sala de espera do dentista é comum. O lado bom dessa nevarada toda são as brincadeiras e os esportes. As crianças não sentem frio. Vários pontos do bairro se transformam e tobogãs gelados que lotam nos fins de semana de crianças empacotadas nos trajes de neve e brincam como se estivessem na areia do baixo bebê da praia do Leblon, além das pistas abertas e muito bem estruturadas para patins e as estações de esqui. Outro tema que deve render um post separado...


Depois de encaramos -21 com sensação de -26, o corpo passa a entender que -5 é agradável. Isso me impressionou de verdade porque quando me falavam, eu não entendia, mas a natureza é muito incrível. Nunca imaginei que sairia na rua com 1 grau de temperatura e pensaria: hoje tá bom pra uma corridinha... O processo de adaptação é natural quando passamos por temperaturas extremamente baixas e retornamos ao clima mais ameno. O inverso também procede. Por isso, chegar durante o verão é uma opção melhor para a adaptação à queda gradativa de temperatura.

Outro lado delicinha da neve é que a cerveja está sempre gelada.
Aproveitemos!

Au revoir!


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Agora é pra ficar!



Voltamos e agora é de vez. 

Muitos relatos para postar! Desde os motivos que nos levaram a reconsiderar a vida no Canadá, o processo de imigração, a viagem, até a adaptação de todos, agora com filho pequeno, cachorro e sogra!
Chegamos há dois meses e meio e ainda não conseguimos retomar as postagens, pois havia muito o que organizar, mas estamos com mais tempo para movimentar o blog de novo e dividir nossas experiências por aqui.

O próximo post será sobre a adaptação ao clima, já que chegamos no inverno e todos perguntam sobre isso o tempo todo.

Au revoir!

sexta-feira, 20 de junho de 2014

École Québec - Curso de francês


Se você pensa em imigrar para o Québec, recomendo procurar um curso de francês que também possa te orientar sobre a cultura local e as exigências do processo. Através de um amigo conheci a École Québec, vale a pena dar uma conferida no que eles podem oferecer.

http://www.ecolequebec.com.br/

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Depois de 6 meses



Estamos de volta e há uma grande sensação de fase nova se iniciando e grandes realizações pela frente.

Ficar longe de tudo por um tempo é muito bom para aprendermos a valorizar tudo que temos, todos que estão a nossa volta, e acima de tudo, aquilo que somos. Parece que acabamos de virar o ano, e hoje é dia  primeiro de janeiro, quando as pessoas todas querem se encontrar, desejar lindos votos, fazer planos, sabe?

Os novos planos profissionais são os principais frutos dessa passagem pelo Canadá, que abriu portas para novas possibilidades a serem exploradas.

Vamos sentir muita falta das pessoas maravilhosas que conhecemos, dos passeios, das descobertas e de tudo que (infelizmente) é bem melhor por lá, como segurança, educação, trânsito organizado... Mas de que adianta ter tudo isso se as pessoas responsáveis por trazer mais alegria às nossas vidas não estiverem lá pra compartilhar?

O calor do brasileiro não se explica. Sabemos de todas as deficiências de nosso país e somos muito gratos pelo período que pudemos passar no Canadá, mas as belezas que conhecemos não são como as belezas de cá.

É simplesmente um privilégio poder estar de volta.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Um pulinho em Ottawa

Conhecemos a capital do Canadá. Ottawa, assim como Old Quebéc, é repleta de museus e belas paisagens.

Visitamos o Museu de Belas Artes, que reúne lindos quadros e esculturas antigas, assim como peças de arte contemporânea, com as quais não nos identificamos muito, mas para quem gosta de ficar "viajando" no significado de toda aquela parafernalha, é um prato cheio.

Conhecemos também o Museu Canadense da Civilização, que mostra a evolução humana, desde os tempos da pré-história até as grandes personalidades que fizeram parte da história do Canadá. Esse, nós gostamos mais porque as diversas galerias simulam o clima de cada era e algumas áreas são interativas. Pode-se gastar três dias para desbravar todas as exposições desse museu, mas nossa passagem foi rápida e conhecemos tudo em uma tarde. Além disso, ao lado do Museu, há um belo mirante, de onde pode-se contemplar o prédio do Parlamento, que é um castelo antigo e muito majestoso.

 O centro da cidade é muito florido e organizado, assim como todas as cidades que visitamos por aqui. Perto de onde ficamos, ainda há muitos museus como o de Fotografia, Museu da Guerra, da Tecnologia e da Aviação. Museu não é mesmo a nossa praia, mas fica a dica para quem gosta.

Próximo ao Parlamento, fica o Rideau Canal, por onde os barcos atravessam de um nível para outro do rio e que, no inverno, vira uma pista de patinação gigante. 


Nos surpreendemos com o quarto do hotel, é maior que nosso apartamento no Rio! 
Simplesmente enorme, com dois banheiros, sala com dois ambientes, cozinha totalmente equipada, TV no quarto e na sala, varanda e tudo isso pela bagatela de $100,00, o mais barato que encontramos, e muito bem recomendado, não só pela estrutura, mas também por ser muito bem localizado.
O nome desse hotel é Albert at Bay e super recomendamos a qualquer um que esteja planejando passar algum tempo em Ottawa.



Pra fechar com chave de ouro, conhecemos o Cassino, que não é muito grande, mas dá pra fazer uma gracinha na roleta. Que saudade de Vegas...

Esse foi nosso útltimo passeio dessa temporada de  Canadá e mais um para nossas felizes recordações.




quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O professor pensou que éramos traficantes

É mesmo muito engraçada a maneira como as pessoas passam pelas nossas vidas. Entre dezenas de cursos que pesquisamos aqui no Quebec, nos deparamos com um professor particular que passou muita confiança sobre seu método de ensino durante a primeira entrevista e, pelo preço, aliado aos nossos objetivos, foi o escolhido. Nunca poderíamos imaginar que esse cara seria um professor de inglês e de vida.

Durante 5 meses, conhecemos um pouco da vida dele e ele, da nossa. Nossa preferência era gastar o tempo de conversação, falando sobre as diferenças entre Brasil e Canadá, e vê-lo se divertir com nossas histó
rias sobre carnavais, lugares maravilhosos, personagens da nossa política e da nossa mídia, as artes, os costumes brasileiros... tanto que ele não vê a hora de conhecer o Rio de Janeiro.

Descobrimos nesse cara uma força e uma energia muito inspiradora. Afinal não é qualquer um que, aos mais de 60 anos, corre maratonas, pratica triátlon, superou três cirurgias contra câncer, foi consultor de negócios de grandes empresas, deu aula pra todo tipo de gente, inclusive traficantes de crianças, investigadores do governo, psicólogos de pedófilos, presidiários, árabes, chineses, franceses, indianos...  e ainda mantém, além do curso de inglês e francês, uma instituição especializada em novas idéias, através da qual, presta consultoria para inventores e empresários do Canadá e EUA.

Diante de todas as figuras com as quais ele já se deparou na vida, nosso primeiro encontro foi uma experiência engraçada para ele, e que só fomos saber meses depois de iniciado o curso.
Acontece que quando chegamos, não tínhamos segurança de falar em inglês por telefone, então todas as ligações eram feitas pelo pai do Daniel, que marcava nossas entrevistas com os cursos. E sempre íamos para as entrevistas acompanhados de alguém, afinal, não conhecíamos nada por aqui. Calhou de conhecermos nosso professor acompanhados do irmão do Daniel, que é fluente em francês e inglês e poderia nos dar uma forcinha com a conversa.

Alguns meses depois, nosso professor nos contou que achou que nos fôssemos da MAFIA LATINA.
Imagine a situação. O cara recebe a ligação de uma pessoa para agendamento da entrevista para um terceiro. Esse terceiro chega acompanhado de seu irmão (nada comunicativo) que é brasileiro, mas mora no Canadá. Esse mesmo terceiro é canadense, mas mora no Brasil e não fala inglês, nem francês. Na hora de pagar, ele prefere pagar tudo em dinheiro vivo, porque não tem conta corrente no Canadá, nem cheque. Quando pergunta qual é a profissão de seus futuros alunos, descobre que a esposa do cara trabalha com segurança e eles precisam voltar em 6 meses... Eles conversam em português entre si, durante a entrevista e quando ele pergunta ao irmão sobre o que o casal estava falando, ele responde: “Ela sabe atirar”... Bem... Ele pensou: “Quem serão essas pessoas? Serão traficantes de drogas, trazendo seu cartel para Quebec?”... Passamos muito tempo rindo disso, muito mais pelas caras e bocas do professor e da sua grande vocação para comediante, do que pelos fatos em si. Ele também tentou ser comediante quando mais jovem, mas se apaixonou primeiro e acabou não engajando-se nesse objetivo por conta do primeiro casamento, mas isso já é outra histó
ria...

 
Depois de 5 meses o chamando de Garry Nollan, descobrimos semana passada, durante um agradabilíssimo jantar de despedida, que o nome correto é Gary Nolan. Ele esperou até o último momento para nos corrigir, provocando mais gargalhadas.




Estamos muito satisfeitos com os resultados do curso, não só pela evolução com o idioma, mas por tudo que aprendemos sobre relações humanas, preconceito, evolução, política, negócios, humor, o que é fácil, o que é difícil, convivência, religião, cultura... peculiaridades da humanidade... tudo isso estava incluído no pacote e não há preço que pague.

Obrigado, Gary Nolan. Nos veremos em breve, quando você visitar o Rio.